Um minuto, conjunto de 60 segundos para o qual tudo flui. Num funil, todo o conteúdo desliza por uma superfície inicialmente ampla e preparada chegando, finalmente, a um determinado local. Sempre soube que era essa a finalidade, como alguém que vive pro fim, que corre pra beirada do penhasco. Era a corrida o que havia de mais interessante desde o início, mas isso não torna as coisas menos complicadas no final, já que mesmo buscando o aproveitamento máximo de cada passo como num acompanhamento em super câmera lenta.
Sentir os músculos em ardência e perceber que a planta do pé tende a pisar torto sempre, entendemos que o caminho é - sim - feito pra ser percorrido sozinho. Quando a postagem sobre o desapego me pegou pelas pernas ouvindo Adele, todo o resto confluiu para um mesmo ponto... O mais difícil do processo de desapego não é nem perceber que o fim é natural, mas ter que aceitar que ele chegando, merece a maior serenidade possível pra esperar que pode voltar em outra forma e que há de ser assim na vida inteira. Fazer planos acaba se tornando, na verdade, uma forma paliativa (subst paliativo remédio ou medida que alivia mas não cura) para não acreditar nesse futuro em forma de funil.
Apressado, sempre pensava na possibilidade de ser um ermitão, mas me dava melhor com as tragédias, como é usual. Acho que afunilar é dar proximidade o suficiente pra perceber que o importante é mesmo o que fica a mostra, talvez eu ainda possa aprender a ser irremediavelmente conformado com o que não está visível. Conformidade nunca foi lá o meu forte e exercitar o isolamento não seria uma solução.
Desassossego que não me deixa dormir
quem disse que não dói?
Respirar não é mais tão fácil
Nada em mim é natural
É um processo dotado de antes
De durante factual e inseparado do que veio
Com depois incerto,
mais ocasional do que determinado.
PS.: Já diria Fernando Pessoa no Livro do Desassossego: "O coração, se pudesse pensar, pararia". Fiquei sem sentir o meu por alguns longos segundos.

4 comentários:
".. O mais difícil do processo de desapego não é nem entender que o fim é natural, mas ter que entender que ele chegando, merece a maior serenidade possível pra entender que pode voltar em outra forma e que há de ser assim na vida inteira".
Ou você acredita nisso, ou você acaba morrendo por dentro. Tento acreditar todos os dias, é uma das formas de sonhar!
Lindo Post, genial.
Eu tenho dificuldades para me desapegar de tudo. De alguns obejtos que foram importantes, de lugares, de pessoas. O que me agonia é que, ao mesmo tempo, eu tenho uma vontade de ganhar o mundo, de sair por aí sem ter que voltar pra nada, nem pra ninguém. E é isso que me mata!
PS vou parar por aqui, porque isso vai virar um post no meu blog. He
Mandou muito bem, Caio, como sempre.
Jani... Eu revi esse trecho pra deixar mais claro ainda ocmo as coisas me parecem...
Analu, o texto é seu. Eu peguei um pedaço do seu texto ao ler seu post...
acho que claro, né Caio? Serve pra vida, acho que sou uma das pessoas mais apegadas a tudo nesse mundo.
Postar um comentário