Um Auto (latim: actu = ação, ato) é uma obra de um subgênero da literatura dramática, surgido na Idade Média, na Espanha, por volta do século XII. Pois a Península Ibérica é mesmo um ovo desde sempre e em Portugal, no século XVI, a moda pegou! Gil Vicente é a grande expressão desse gênero dramático, sempre escrito em redondilhas (versos de cinco ou sete sílabas poéticas) e visava satirizar pessoas.
Camões e Dom Francisco Manuel de Melo também adotaram essa forma, lembra? Como os autos de Gil Vicente deixam perceber claramente (vide, por exemplo, o Auto da Alma e Auto da Barca do Inferno), a moral é um elemento decisivo nesse sub-gênero.
Já que é pra satirizar, mas com uma feição mais moderna, podemos pensar em algo um tanto diferente, que pega emprestado itens desses autos tão marcantes:
- Uso do mesmo título (para efeito de comédia). SIM! Afinal de contas, um auto dramático que conta a história de personagens no purgatório é algo passível de realidade hoje em dia em véspera de qualquer natal em família.
- Redondilhas menores (5 sílabas) e maiores (7 sílabas) em ritmo e rima coerentes. Não sei! Não acho que sou capaz... Mas se o fizer, haverá tradução disponível.
- Completar, no adequado uso de aparelhagem eletroeletrônica, a trilogia de autos da barca durante esse tempo que está por vir: SIM! Afinal, a barca do purgatório foi a segunda, na linha de escrita de Gil Vicente, mas será a minha primeira. Será sucedida pelo Auto da barca do Inferno e finalizado, como deve ser, com o Auto da Barca da Glória.
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